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Núcleo e Divisão Celular

1     NÚCLEO INTERFÁSICO

Células procariontes[1], como as bactérias, possuem material genético (DNA), mas carecem de uma membrana que delimite o núcleo. A palavra se origina do latim nucleus, que significa caroço.

Como o núcleo sofre profundas modificações durante a divisão celular, será apresentado no intervalo entre duas divisões (interfase). Esse núcleo interfásico[2] é impropriamente chamado de núcleo em repouso, pois, nesse período, há intensa atividade metabólica, com síntese de DNA, RNA e proteínas.

Na maioria das células, o núcleo é único, esférico e tem posição central. Todavia, existem células anucleadas (os glóbulos vermelhos dos mamíferos), binucleadas (células do fígado) e multinucleadas (células musculares e osteoclastos).

Nas células musculares, os núcleos são alongados, nos glóbulos brancos neutrófilos são segmentados. Algumas larvas de inseto têm núcleo ramificado. Seu tamanho varia de 2m a 5m.

carioteca (membrana nuclear) só é visível ao microscópio eletrônico. O aparente envoltório visto ao microscópio óptico é a cromatina condensada na periferia do núcleo. Ao microscópio eletrônico, a carioteca se mostra como dois folhetos de membrana sobrepostos, tendo entre eles um espaço de 10  m. Possui poros de cerca de 100  m de diâmetro, que permitem intenso intercâmbio de substâncias entre o núcleo e o citoplasma.

Na face citoplasmática, a carioteca tem ribossomos aderidos, e se encontra em continuidade com as membranas do retículo endoplasmático, o que faz crer que ambas sejam compartimentos de um mesmo sistema de membranas. Sua composição é lipoproteica. A massa do núcleo é formada por:

Água: 70%

Proteínas: 22%

DNA: 7%

RNA: 1%

Organização eucarionte de uma célula animal nucleada

O corante de Feulgen tem grande afinidade pelo DNA (mas não pelo RNA), sendo usado para averiguar o núcleo das células em preparados para microscopia.

O interior do núcleo é ocupado pela cariolinfa (ou nucleoplasma), gel protéico claro, semelhante ao hialoplasma, mas com maior concentração de RNA e de proteínas.

nucléolo é um corpúsculo denso, esférico, sem membrana e com diâmetro entre 1  m e 2  m. Habitualmente, há 1 nucléolo em cada núcleo, embora possa haver 2 ou estar ausente. Constitui-se de RNA, fosfolipídeos, polissacarídeos, DNA (da cromatina associada ao nucléolo) e água.

O nucléolo não é observado nos procariontes. É particularmente freqüente nas células jovens, com intensa síntese de proteínas. Experiências têm mostrado seu papel na formação de ribossomos, como local de produção do RNA ribossômico. O nucléolo desaparece no início da divisão celular, voltando a aparecer no seu final.

Além desses componentes, é extremamente importante a cromatina, que é o conjunto de filamentos cromossômicos.

Organização nuclear

2     CROMATINA

É formada por uma rede de filamentos e grânulos, aderida à face interna da carioteca. Durante a interfase, está descondensada, formando a eucromatina. As porções que, nessa etapa, estão condensadas são os cromocentros, formados por heterocromatina.

A cromatina é constituída por DNA e por proteínas básicas chamadas histonas[3]. Possui, ainda, RNA e cálcio.

Cada filamento descondensado (desespiralizado) na interfase é um cromonema. Durante a divisão, sofre condensação e encurtamento, sendo visto individualizado como um cromossomo.

Estrutura do cromossomo

Estrutura do Cromossomo: (a) Cromossomo observado ao microscópio
(b) Esquema do cromossomo

3     ATIVIDADES FISIOLÓGICAS

Os núcleos na interfase estão em intensa atividade. No DNA nuclear, estão as informações genéticas da célula. Esse é o seu principal papel, como depositário de caracteres hereditários e como controlador da atividade celular.

No final do século passado, Balbiani executou o processo conhecido por merotomia. Uma ameba é seccionada mecanicamente em dois fragmentos, um nucleado e o outro anucleado. O nucleado vive normalmente, enquanto que o anucleado morre cerca de 20 dias depois.

Experiência de merotomia de Balbiani

Se, dentro dos primeiros dias após a merotomia, o fragmento anucleado receber o núcleo de uma outra ameba, volta a se locomover, a se alimentar e pode se reproduzir.

4     CROMOSSOMOS

No estudo do núcleo interfásico, é importante a caracterização da cromatina, isto é, dos filamentos cromossômicos.

Os cromossomos são formados por proteínas e DNA, variando em número, forma e posição de centrômero nas diferentes espécies.

Durante a divisão celular, cada filamento de cromatina se condensa e origina um corpúsculo bastante visível, com formato de um bastão, chamado cromossomo. Cada cromossomo simples é formado por uma única molécula de DNA, ligada às proteínas. Nos procariontes, o cromossomo possui apenas DNA.

Cada segmento de cromossomo capaz de determinar a produção de uma proteína é chamado gene[4]. O cromossomo pode ser, então, definido como “uma seqüência linear de genes“.

Durante a espiralização da cromatina, as regiões de heterocromatina condensam-se menos que as de eucromatina, originando regiões de estreitamento nos cromossomos. São as constrições. Todos os cromossomos têm pelo menos uma constrição, chamada centrômero (cinetócoro ou constrição primária).

A posição ocupada pelo centrômero permite classificar os cromossomos em:

1) metacêntricos: o centrômero fica no meio do cromossomo;

2) submetacêntricos: o centrômero é deslocado para uma das extremidades, e o cromossomo tem dois braços;

3) acrocêntricos: o centrômero se localiza bem próximo de uma extremidade, e um braço é bem maior que o outro;

4) telocêntricos: o centrômero está em uma das extremidades.

Classificação dos cromossomos quanto à posição do centrômero

Em um dos braços, pode haver uma área de estreitamento, a constrição secundária. Em cada espécie, a constrição secundária surge sempre no mesmo cromossomo. A porção separada do corpo do cromossomo pela constrição secundária é a zona SAT, também chamada zona satélite ou região organizadora do nucléolo[5].

Organização de um cromossomo submetacêntrico

A observação dos cromossomos mostra que, em um núcleo, geralmente, eles ocorrem aos pares, chamados cromossomos homólogos. São iguais quanto ao tamanho, à forma e à posição do centrômero.

Em uma célula somática (muscular, por exemplo), onde os cromossomos existem aos pares, o número cromossômico é chamado diplóide ou 2n, pois há dois lotes idênticos. Em uma célula germinativa (gameta, por exemplo) encontra-se apenas um lote n de cromossomos, chamado haplóide.

O número cromossômico é bastante variável de espécie para espécie. Veja na tabela abaixo alguns exemplos.

Nota-se que espécies muito diferentes, como o rato, o macaco Rhesus e a aveia, têm o mesmo número de cromossomos. Alguns protozoários possuem mais de 300 cromossomos.

Na maioria das espécies, há um par de cromossomos cujos componentes são diferentes no macho e na fêmea. São os cromossomos sexuais [6]ou alossomos. Na espécie humana, a mulher possui um par idêntico (XX) enquanto o homem possui um par formado por cromossomos diferentes (XY). Os demais cromossomos, iguais para o macho e a fêmea, são chamados autossomos.

Cariótipo de macho e fêmea de Drosophila melanogaster

O conjunto de características dos cromossomos de uma espécie constitui o seu cariótipo (número de cromossomos, tamanho e classificação). A observação do cariótipo é melhor durante a divisão celular, pelo alto grau de condensação alcançado pelos cromossomos. Uma vez fotografados ao microscópio, podem ser recortados, e os pares de homólogos agrupados de acordo com o tipo e em ordem decrescente de tamanho. A essa montagem dá-se o nome de idiograma.

(a) Cromossomos duplicados em metáfase para preparação do cariótipo
(b) Cariótipo humano masculino

5     A IMPORTÂNCIA DA DIVISÃO CELULAR

A divisão celular é um processo em que, a partir de uma célula, podem ser formadas duas ou quatro células.

As divisões celulares podem ser do tipo mitose ou meiose, sendo chamadas divisão equacional[7] ou reducional, respectivamente.

Na divisão equacional (E!), isto é, na mitose, existe a manutenção da ploidia[8] nas células – filhas iguais à célula-mãe (original).

Quando um protozoário se divide, está, na verdade, originando 2 novos indivíduos. Para os seres unicelulares, divisão celular significa reprodução.

Na divisão reducional (R!), isto é, na meiose, existe a redução da ploidia nas células-filhas em relação à célula-mãe (original).

 Para os pluricelulares, divisão celular se relaciona com:

1) crescimento: o aumento do tamanho do indivíduo se dá pelo aumento do número e do tamanho das células;

2) renovação celular: certos tecidos substituem periodicamente suas células graças às divisões de células precursoras. Assim ocorre a renovação dos glóbulos vermelhos do sangue e da camada superficial da epiderme;

3) regeneração: alguns tecidos, como o tecido hepático, têm grande poder de substituir células mortas graças às divisões das células restantes.

O padrão de divisão comum aos protozoários e aos seres multicelulares é a mitose, através da qual uma célula origina duas células-filhas geralmente idênticas entre si e à célula-mãe, inclusive quanto ao número de cromossomos. A mitose pode ser chamada divisão equacional.

A mitose é um evento obrigatório em alguns tecidos (na medula óssea produtora de células do sangue), eventual em outros (no fígado em regeneração) ou não observado em alguns (os tecidos nervoso e muscular). Como a célula “sabe” que chegou a hora de se dividir?

a) Com o crescimento da célula, a relação entre o volume celular e a área da sua membrana aumenta até alcançar um valor crítico, que desencadeia a divisão.

Para entendermos melhor, vamos comparar uma célula a um cubo de aresta igual a 1 cm. Vamos determinar a relação entre a superfície do cubo e o seu volume.

Podemos perceber que, com o crescimento celular, o volume celular cresce numa razão maior que sua área, ou seja, o crescimento da superfície celular não acompanha o aumento do volume celular.

Esta desproporcionalidade entre superfície e volume torna-se, ao longo do processo de crescimento celular, inviável para a manutenção do metabolismo celular, como absorção de nutrientes, trocas gasosas e eliminação de excretas. Com o crescimento celular, essa desproporcionalidade entre superfície celular e volume desencadeia a divisão celular, tornando, assim, a superfície compatível com o volume a cada início de ciclo celular.

b) Com o crescimento, o volume do citoplasma aumenta proporcionalmente mais que o volume do núcleo, diminuindo a relação núcleo-plasmática (RNP).

 Consideremos uma célula que tem volume nuclear de 1 mm3 e volume citoplástico de 5 mm3. Com o crescimento da célula, o volume do citoplasma passa para 10 mm3, não se alterando o volume nuclear.

Hertwig, em 1908, propôs que quando a RNP alcança um valor mínimo crítico (Kc), constante para cada tecido, a divisão se inicia.

Não se sabe, ao certo, que fatores controlam a taxa de divisão de um tecido. Estudos com vegetais mostram a ação de hormônios, como as citocininas, estimulando as divisões. Acredita-se que a duração dos ciclos celulares e a ocorrência de mitose sejam influenciadas pelas concentrações intracelulares de algumas substâncias, como o ATP, o AMP cíclico e outras.

O estudo dos indutores e dos inibidores da divisão celular tem papel importante no conhecimento sobre câncer, por se tratar de doença na qual há proliferação anormal de células.

6     O CICLO CELULAR

Compreende todo o período que vai desde o surgimento da célula até o momento em que ela se divide. O período que antecede a divisão celular é a interfase, de aparente inatividade, uma vez que nele não se observam grandes alterações morfológicas na célula. Constitui, porém, um período de acentuada atividade metabólica, tanto do citoplasma como do núcleo.

A interfase é dividida em três períodos.

I.  Período G1: a letra G vem da palavra gap, que significa “intervalo”, em inglês. Nesse período, ocorre crescimento da célula que surgiu na mitose anterior, até alcançar seu tamanho normal. No período G1, há intensa produção de RNA no núcleo, e síntese de proteínas no citoplasma.

II. Período S: vem de synthesis. Nele, a célula duplica seu material genético, graças à replicação do DNA da cromatina. A duplicação não é sincronizada, isto é, os cromossomos não iniciam nem encerram a replicação todos ao mesmo tempo.

Após a duplicação, o cromossomo, que era formado por um cromonema[9], passa a ter dois filamentos unidos pelo centrômero. São duas cromátides[10]-irmãs.

III. Período G2: duplicado todo o material hereditário, a célula entra em outro período de crescimento, semelhante ao do G1, mas com menor produção de RNA e de proteínas. É o momento de aparecimento das proteínas que irão constituir o fuso mitótico, assumindo um arranjo especial organizado pelos centríolos.

Uma vez iniciada a divisão celular, uma série de alterações ocorre na célula, em uma seqüência contínua de numerosos eventos.

7     MITOSE

7.1     Introdução

Ao estudarmos a divisão celular da mitose, verificamos comportamentos característicos dos cromossomos, mudanças na estrutura do núcleo, da membrana nuclear, dos centríolos e do nucléolo.

Para facilitar o estudo da mitose, podemos dividi-la em fases com os seguintes nomes: prófase, metáfase, anáfase e telófase.

7.2     Fases

7.2.1     Prófase

É a mais longa. Tem início com um discreto aumento de volume do núcleo. A cromatina começa a se espiralizar. Os nucléolos desaparecem.

Os centríolos já duplicados migram para os pólos opostos da célula. Durante a migração, fibras protéicas do hialoplasma se colocam como raios ao redor dos centríolos, formando o áster. Surgem, também, fibras que ligam um par de centríolos ao outro. Formam o fuso mitótico ou fuso acromático. Ao conjunto formado pelos centríolos, pelos ásteres e pelo fuso mitótico dá-se o nome de aparelho mitótico.

A carioteca se rompe e os cromossomos se soltam no citoplasma. Através dos centrômeros, ligam-se as fibras do fuso mitótico. As fibras do fuso que se ligam aos cromossomos são chamadas fibras cromossômicas. As que vão de um par de centríolos ao outro, sem se ligar a cromossomo nenhum, são as fibras contínuas.

7.2.2     Metáfase

Os cromossomos se colocam na região equatorial da célula. As cromátides-irmãs, ainda unidas pelo centrômero, atingem seu grau máximo de condensação, tornando-se bem visíveis ao microscópio. Pela facilidade de observação dos cromossomos, a metáfase é chamada fase do cariótipo[11]. Para facilitar o estudo cromossômico, a divisão celular pode ser interrompida na metáfase, por substâncias como a colchicina e a vimblastina, que impedem a polimerização das proteínas do fuso mitótico.

7.2.3     Anáfase

Seu início é marcado pela bipartição dos centrômeros e separação das cromátides-irmãs. As fibras do fuso mitótico tracionam os cromossomos. As cromátides-irmãs migram para pólos opostos (metacinese). O aparente encurtamento das fibras cromossômicas do fuso mitótico ocorre graças ao seu deslizamento sobre as fibras contínuas.

No final dessa fase, em cada pólo, há número de cromossomos igual ao que havia na célula que iniciou a divisão, embora agora com apenas um filamento cada um. Tem início a desespiralização dos cromossomos.

7.2.4     Telófase

Os cromossomos desespiralizados estão dispostos em dois conjuntos, um em cada pólo. Cada conjunto é envolvido por uma nova carioteca, que surge pela fusão de segmentos do retículo endoplasmático. Desaparecem os filamentos do áster e do fuso mitótico. Na constricção secundária de certos cromossomos, reconstitui-se o nucléolo.

Na região equatorial, em toda a circunferência da célula, surge o sulco de divisão e, à medida que se aprofunda, aumenta o estrangulamento nesta região. Ocorre a separação das duas células-filhas, denominada citocinese. As proteínas citoplasmáticas actina e miosina tomam parte dessa divisão do citoplasma.

Surgem duas células-filhas com o mesmo número de cromossomos da célula-mãe (mesma ploidia), embora não visíveis no final da divisão, pois o núcleo de cada uma já se encontra no estado interfásico.

Ao mesmo tempo que ocorre a separação do material genético para as células-filhas, também ocorre a distribuição dos componentes celulares, como as organelas, uniformemente, para as futuras células.

IMPORTÂNCIA DA MITOSE:

  • Crescimento;
  • Desenvolvimento;
  • Reprodução Assexuada (quando não gera variabilidade genética). Geração de células filhas iguais às células-mãe. Na mitose, células haplóides originam células haplóides e células diplóides originam células diplóides.

GRÁFICO DA QUANTIDADE DE DNA AO LONGO DO TEMPO

7.3     Mitose na Célula Vegetal

Em linhas gerais, a mitose da célula vegetal segue os mesmos passos da mitose animal. Serão enumeradas, a seguir, as principais diferenças.

a) A célula vegetal superior não possui centríolos. Durante a formação do fuso mitótico, as fibras convergem para pontos localizados em pólos opostos na célula, mas não orientados em direção aos centríolos. A mitose vegetal é anastral. Como a célula animal tem centríolo e forma áster, sua mitose é astral.

b) A célula animal sofre estrangulamento na região equatorial, que termina por dividi-la em duas (citocinese centrípeta). Na célula vegetal, não há estrangulamento. No final da telófase, vesículas originadas no complexo golgiense se colocam no plano equatorial, no centro da célula. O conjunto de vesículas chama-se fragmoplasto,que forma a lamela média.

Como a formação do fragmoplasto ocorre do centro para a periferia, a citocinese é centrífuga. Persistem falhas na parede celulósica recém-formada, através das quais se estabelecem pontes citoplasmáticas entre as células, denominadas plasmodesmos.

 

8     MEIOSE

8.1     Importância e características

A IMPORTÂNCIA DA MEIOSE:

  • Reprodução;
  • Produção de gametas nos animais;
  • Produção de esporos nos vegetais;
  • Reprodução Sexuada: há variabilidade genética (manutenção das espécies nos ambientes terrestres).

A meiose é um tipo de divisão celular que envolve duas etapas, nas quais, a partir de uma célula diplóide[12] (2n) são formadas quatro células haplóides[13] (n).

Nos animais, o fenômeno da meiose está relacionado com a formação de gametas[14], e, nos vegetais, a meiose ocorre para a formação dos esporos[15].

Durante a plantação de um canavial, um caule de cana é seccionado em vários pedaços, as “mudas“. Cada pedaço irá originar uma nova planta. A anêmona-do-mar, um celenterado, forma novas anêmonas por brotamento de seu próprio corpo. Nos dois casos, há uma forma de reprodução na qual um indivíduo origina vários que são cópias idênticas dele mesmo. São exemplos de reprodução assexuada, que ocorrem em muitos vegetais e em alguns invertebrados. Por reprodução assexuada, um indivíduo origina, geralmente, grande número de descendentes muito semelhantes, pois todos possuem o mesmo patrimônio hereditário do ancestral.

A reprodução sexuada, por sua vez, envolve dois eventos:

1. a produção de células especiais, os gametas;

2. a fecundação, caracterizada pela união de dois gametas.

Os animais superiores reproduzem-se sexuadamente.

Em relação a reprodução assexuada, a reprodução sexuada origina menor número de descendentes, com dispêndio de energia muito maior. Nos vegetais, a reprodução sexuada implica a formação de flores vistosas e perfumadas, atraentes para os polinizadores. Animais de sexos opostos usam vários artifícios (plumagem, canto, odor etc.) para se tornarem atraentes. Os machos produzem milhares (ou milhões) de gametas para cada gameta feminino produzido.

Qual é a vantagem de todo esse esforço?

A resposta é: variabilidade genética[16].

Como, na reprodução sexuada, cada novo indivíduo é resultado da fusão de gametas diferentes, cada um possui patrimônio hereditário diferente dos demais, o que garante a diversidade dentro das populações. Como elas sofrem, continuamente, pressões da seleção natural, quanto maior for o número de variações, maior será a chance de indivíduos aptos serem selecionados e originarem descendentes.

A meiose é chamada de divisão reducional[17], por dividir pela metade a quantidade de cromossomos da célula. Ela ocorre em células diplóides (2n) e origina quatro células-filhas haplóides (n). Consiste em duas divisões sucessivas, como mostradas a seguir:

A produção de gametas, com metade da quantidade de cromossomos da espécie, faz com que a fusão de dois deles, na fecundação, reconstitua a quantidade inicial de cromossomos.

 8.2     Fases

A divisão de meiose é do tipo reducional, ocorrendo a redução da ploidia da célula.

Uma célula diplóide (2n), ao sofrer meiose, produz quatro células haplóides (n), que podem ser gametas [18] nos animais ou esporos [19] nos vegetais.

Como ocorre na divisão da mitose, também na meiose, antes de se iniciar a divisão celular, a célula passa pela intérfase com os períodos G1, S e G2.

A primeira etapa da meiose difere muito de uma mitose, pois ocorrem os fenômenos de pareamento e separação de cromossomos homólogos[20], os quais não ocorrem na mitose.

A segunda etapa da meiose é semelhante à mitose.

Como já vimos na mitose, a intérfase na meiose também é uma etapa de intensa atividade metabólica, com síntese de proteínas e RNA.

A figura a seguir representa uma célula em intérfase onde os cromossomos ainda não podem ser vistos individualizados.

 A divisão de meiose é estudada em duas etapas: meiose I e meiose II.

Os nomes das fases da meiose são os mesmos usados para a mitose.

A primeira divisão meiótica (meiose I) compreende:

8.2.1     Prófase I

A prófase I é caracterizada pelo fenômeno do pareamento dos cromossomos homólogos. Nesta fase, pode ocorrer o fenômeno de permutação ou crossing-over, que é uma importante fonte de variabilidade [21] genética nas populações, com a formação de gametas recombinantes.

A figura a seguir destaca a prófase I em uma de suas fases mais marcantes e características, quando ocorre o pareamento dos cromossomos homólogos.

2n = 4

8.2.2     Metáfase I

Metáfase I: com grau máximo de condensação ou espiralização, maior que na mitose, os cromossomos estão emparelhados no equador celular.

2n = 4

8.2.3     Anáfase I

Com o encurtamento das fibras do fuso, os cromossomos homólogos se separam e se dirigem para pólos opostos (disjunção). Não há bipartição dos centrômeros, e as cromátides irmãs permanecem unidas. Em cada pólo, está a metade dos cromossomos da célula-mãe, ainda duplicados.

2n = 4  n = 2

 8.2.4     Telófase I

Telófase I: os cromossomos se desespiralizam, a carioteca se refaz e o citoplasma se divide, formando duas células-filhas haplóides.

Entre o final da divisão I e o início da divisão II, pode ocorrer um pequeno intervalo, a intercinese, no qual não há duplicação do DNA.

n = 2

Os eventos da segunda divisão meiótica são idênticos aos da mitose, uma vez que duas células haplóides, resultantes da divisão I, irão originar quatro células haplóides no final da divisão.

8.2.5     Prófase II

A carioteca se fragmenta, os cromossomos iniciam sua espiralização e se ligam às fibras do fuso, que se dirigem para ambos os pólos.

n = 2

8.2.6     Metáfase II

Nesta fase, os cromossomos estão bem condensados ou espiralizados, localizados no plano equatorial da célula.

n = 2

8.2.7     Anáfase II

Ocorre a bipartição dos centrômeros e as cromátides irmãs se separam, tracionadas pelas fibras do fuso para pólos opostos das células.

n = 2

Importante:

A anáfase I separa os cromossomos homólogos, enquanto a anáfase II separa as cromátides irmãs.

8.2.8     Telófase II

Nesta última etapa, ocorre a reorganização do núcleo, a desespiralização dos cromossomos e a divisão do citoplasma (citocinese).

n = 2

Observe que foram formadas quatro células (n = 2) com a metade da ploidia da célula inicial.

n = 2

8.3     Comparação entre Mitose e Meiose

8.4     Variação da Quantidade de DNA na Mitose

Durante o ciclo mitótico celular, ocorrem modificações na quantidade de DNA da célula, mas não na quantidade de cromossomos. Para se evitar confusão entre a quantidade de filamentos de cromatina e a quantidade de cromossomos, a contagem de cromossomos se baseia na contagem de centrômeros.

A variação na quantidade de DNA, durante o ciclo celular, obedece ao seguinte gráfico.

8.5     Variação da Quantidade de DNA na Meiose 

Na meiose, ocorre também variação da quantidade de DNA no núcleo celular.

A variação da quantidade de DNA ocorre em dois momentos: durante a separação dos cromossomos homólogos (anáfase I) e na separação das cromátides irmãs (anáfase II).

Observe que as células resultantes da meiose, assim como os gametas dos animais e os esporos dos vegetais, apresentam metade da quantidade de DNA e da ploidia da célula inicial.

Leitura Complementar

  • Drogas que interferem na divisão celular

Alguns componentes químicos, como a colchicina e a vimblastina, podem interferir no processo de divisão celular. A colchicina age sobre as fibras do fuso, impedindo a sua formação. Portanto, a divisão celular progride até a metáfase, não ocorrendo a anáfase. A célula exposta à colchicina pode voltar à interfase com o dobro de cromossomos da célula inicial. Esta prática pode ser vantajosa no estudo dos cromossomos, uma vez que, estes são mais facilmente observados durante a metáfase, em que atingem o máximo grau de condensação. Estas substâncias também são utilizadas com interesse no melhoramento genético vegetal, em que o emprego dessas drogas, aliado à cultura de tecidos vegetais, pode desenvolver vegetais mutantes poliplóides com características econômicas vantajosas, como maior produtividade, resistência a pragas, etc.

  • As Subfases da Prófase

É a fase mais longa e complexa, contendo cinco estágios.

I) Leptóteno (leptos = fino): nesse estágio, os filamentos de cromatina, já duplicados, iniciam sua espiralização.

Leptóteno

II) Zigóteno (zygos = par): prosseguindo na condensação, cada cromossomo se move e se coloca lado a lado com seu homólogo. O emparelhamento se chama sinapse e cada par de homólogos constitui um bivalente.

Zigóteno

III) Paquíteno (paquis = espesso): pareados e mais condensados, os cromossomos evidenciam suas duas cromátides. Assim, o par terá quatro cromátides lado a lado (tétrade).

É possível a troca de fragmentos entre cromátides de cromossomos homólogos, denominado permutação ou crossing-over.

Paquíteno

IV) Diplóteno: após a troca de fragmentos entre os cromossomos homólogos, a imagem em “X” observada ao microscópio é o quiasma.

Diplóteno

V) Diacinese: ocorre a terminalização dos quiasmas, isto é, seu deslizamento para as extremidades dos cromossomos e sua completa separação. O nucléolo desaparece e a carioteca desintegra-se, ficando os cromossomos soltos no citoplasma. Cada cromossomo do par de homólogos se liga a fibras do fuso acromático, que se dirigem a um dos pólos celulares.

Diacinese

Fonte: Sistema COC de Educação e Comunicação (Modificado).

Créditos: Os vídeos acima foram feitos pelo professor de biologia e bioquímica Dorival Filho e pelo Sistema COC de Educação e Comunicação.  


[1]Procariontes. Procarionte – organismo com célula procariótica, isto é, célula com material genético não delimitado por uma carioteca. A única organela citoplasmática presente nessa célula é o ribossomo.

[2]Núcleo interfásico. É o núcleo em intensa atividade metabólica num momento de preparação para a divisão celular.

[3]Histonas. São as proteínas que fazem parte da constituição dos cromossomos.

[4]Gene. Seqüência de trincas de nucleotídeos do DNA.

[5]Nucléolo. Região do núcleo que corresponde a um conjunto de RNA ribossômico e proteínas. O RNAr é formado por uma região especial do DNA presente no cromossomo. 

[6]Cromossomos sexuais. São os cromossomos que estão relacionados com a determinação de sexo na maioria das espécies.

[7]Divisão equacional. Divisão em que ocorre a manutenção do número de cromossomos (ploidia) nas células-filhas.

[8]Ploidia. Refere-se ao número de cromossomos da espécie.

[9]Cromonema. É cada filamento cromossômico no núcleo interfásico.

[10]Cromátides. Cromátide – É cada parte do cromossomo duplicado.

[11]Cariótipo. Estudo dos cromossomos quanto ao número, forma, tamanho e posição dos centrômeros.

[12]Célula diplóide. É a célula que apresenta pares de cromossomos homólogos. É representada por 2N.

[13]Células haplóides. É aquela que apresenta um cromossomo de cada tipo. É representada por N.

[14]Gametas. São células (N) reprodutivas que participam do fenômeno da fecundação.

[15]Esporos. São células (N) com capacidade de germinação formando o vegetal haplóide (gametófito).

[16]Variabilidade genética.Conjunto de características diferentes de uma população.

[17]Divisão Reducional. Divisão em que ocorre a redução do número de cromossomos nas células-filhas.

[18]Gametas. São células (N) reprodutivas que participam do fenômeno da fecundação.

[19]Esporos. São células (N) com capacidade de germinação formando o vegetal haplóide (gametófito).

[20]Cromossomos homólogos. São cromossomos que possuem o mesmo tamanho, a mesma forma e mesma posição do centrômero. Um é de origem materna e outro, de origem paterna.

[21]Variabilidade. Conjunto de características diferentes presentes nas populações.