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Nematelmintos

1     Apresentação

O filo Nemathelminthes (do grego, nematos = fio; helminthes = verme) é formado por uma grande variedade de animais de corpo alongado e cilíndrico e, por isso, conhecidos como vermes cilíndricos. Podem ter vida livre, sendo geralmente diminutos e até microscópicos ou ser parasitas, podendo alcançar vários centímetros de comprimento.

Alguns nematelmintos comuns

Alguns autores preferem chamá-los de asquelmintos. Deve-se tomar muito cuidado com o uso deste termo, que, segundo a tendência mais moderna da classificação biológica, designa uma série de filos com certas características comuns, um dos quais é o filo Nemathelminthes. Além dele, formam também o grupo dos asquelmintos outros filos compostos por animais não muito conhecidos, tais como Rotifera, Nematomorpha, Gastrotricha, Kinorhyncha e Acantocephala. Dentre todos esses filos, o maior, com cerca de 10 mil espécies descritas, e o que mais interesse desperta é realmente o filo Nemathelminthes, pois muitos de seus representantes são parasitas, infestando safras de produtos alimentícios, animais domésticos e o próprio homem. Assim, podemos tomar os nematelmintos como modelo para o estudo dos asquelmintos, mas tendo sempre em mente que são designações diferentes.

Os nematelmintos de vida livre são encontrados no mar, na água doce e no solo, existindo desde as regiões polares até as tropicais, em todos os tipos de ambientes, incluindo desertos, fontes termais, montanhas e grandes profundidades oceânicas. As formas parasitas atacam virtualmente todos os grupos vegetais e animais. Os parasitas de plantas podem viver em raízes, sementes e frutos, produzindo ovos dos quais saem larvas que se alimentam dos tecidos da planta. Muitas vezes formam-se, na região da planta atacada pelo verme, nódulos protetores chamados galhas. Os parasitas de animais podem provocar doenças que freqüentemente debilitam o hospedeiro e, eventualmente, podem matá-lo. Alguns dos grandes problemas de saúde pública que afligem a população brasileira são causados por eles.

Galhas no caule produzidas por nematódeos em plantas

Dentre os nematelmintos, os representantes mais conhecidos do grupo são a lombriga, o ancilostoma e o oxiúros, parasitas intestinais humanos, além das filárias, causadoras da elefantíase.

1.1     Características Gerais

Os nematelmintos mais conhecidos são, sem dúvida, as lombrigas (Ascaris lumbricoides), parasitas do homem e também de outros animais, como o porco. Estruturalmente são seres muito simples, com o corpo alongado (pode chegar a mais de 30 cm de comprimento), delgado, cilíndrico e afilado nas extremidades. São organismos dióicos e exibem dimorfismo sexual, ou seja, é fácil, somente pela aparência externa, distinguir o macho da fêmea. O primeiro tem a extremidade posterior recurvada e espículas peniais, úteis no momento da cópula, em torno do ânus. A segunda tem formato retilíneo, com um poro genital ventral no meio do corpo, e, geralmente, é maior que o macho.

Algumas características diferenciam as lombrigas e os nematelmintos em geral dos platelmintos, o outro grupo de vermes:

● epiderme sincicial, isto é, constituída por uma massa protoplasmática multinucleada, sem membranas celulares (sincício), e responsável pela produção dacutícula mais externa, acelular, lisa e dura, que serve como proteção.

● inexistência de cílios e ventosas.

● músculos exclusivamente longitudinais, paralelos ao eixo do corpo, reduzindo a capacidade de locomoção nos seres de vida livre, que executam movimentos mais limitados.

● tubo digestivo completo, ou seja, dotado de duas aberturas: a boca abre-se na extremidade anterior, entre 3 lábios, enquanto o ânus é uma fenda posterior subterminal (localizada pouco antes da extremidade), em posição ventral. Aliás, são os asquelmintos os primeiros animais da escala zoológica a exibir ânus.

● existência de uma cavidade interna onde os órgãos ficam alojados, sobretudo o aparelho reprodutor, que tem a aparência de uma série de fios muito finos. São também os primeiros animais a apresentar esta característica. A organização do animal lembra um tubo dentro de outro tubo: o interno seria o sistema digestivo e o externo, a parede do corpo. O espaço entre os dois seria a cavidade do corpo, preenchida por um líquido que auxilia na remoção de elementos tóxicos e na circulação de alimentos e gases.

Estrutura interna de uma fêmea de lombriga

Muitos nematelmintos de vida livre são carnívoros, alimentando-se de pequenos animais, incluindo outros nematelmintos. Alguns são fitófagos, ingerindo algas e seivas de plantas. Podem apresentar placas cortantes na boca e secretar enzimas no tubo digestivo. Os parasitas, como a lombriga, podem receber alimento já semi-digerido no tubo digestivo do hospedeiro.

Não há órgãos respiratórios nem sistema circulatório. Os animais de vida livre usam oxigênio, obtendo-o por difusão direta, e os parasitas são anaeróbicos e fazem fermentação. Gases respiratórios e partículas alimentares podem ser distribuídos com o auxílio do líquido que preenche a cavidade corporal.

As células lançam seus resíduos e excretas na cavidade corporal, de onde são retirados por três canais excretores arranjados de tal maneira que formam um “H” (dois canais laterais conectados através de um canal transversal) e eliminados por um poro excretor ventral situado próximo à boca. O sistema nervoso é constituído por um anel de células nervosas em torno do esôfago associado a dois cordões nervosos longitudinais (dorsal e ventral) e alguns nervos menores.

Em relação à reprodução, os nematelmintos são dióicos e apresentam aparelho reprodutor bem organizado. Nas lombrigas, durante a cópula, o macho se enrola em torno da fêmea, prendendo-se a ela com o auxílio das espículas peniais. São então conectadas as aberturas genitais (ânus do macho e poro genital da fêmea), ocorrendo a transferência de espermatozóides. A fecundação, portanto, é interna. Os ovos ficam alojados no útero da fêmea e possuem casca dura. O desenvolvimento é indireto, com a existência de larvasrabditóides e filarióides.

2     Nematelmintos Parasitas

2.1     Ascaridíase

Verminose comum em países do Terceiro Mundo, incluindo o Brasil, pois está totalmente vinculada a condições precárias de higiene e saneamento básico.

2.1.1     AGENTE ETIOLÓGICO

O causador da ascaridíase é o verme nematelmintoAscaris lumbricoides, conhecido popularmente comolombriga. São monoxenos[1] e de infestação passiva, tais vermes são dióicos e têm claro dimorfismo sexual. O macho tem de 20 a 30 cm de comprimento e corpo alongado, recurvado na extremidade posterior. A fêmea é maior (30 a 40 cm de comprimento) e mais grossa, tendo o corpo retilíneo.

2.1.2     VETOR

Não há hospedeiro intermediário. A contaminação acontece pela ingestão de água e verduras contaminadas por ovos do verme.

2.1.3     LOCAL DE AÇÃO

Os vermes adultos habitam o intestino delgadohumano, podendo ficar aderidos à mucosa ou migrar pela luz intestinal. Durante o desenvolvimento, as formas larvais podem passar por vários órgãos antes de se estabelecerem definitivamente no intestino.

2.1.4     CICLO BIOLÓGICO

No intestino do doente, os vermes adultos se acasalam e a fêmea é capaz de colocar cerca de 200 mil ovos por dia, que chegam ao meio exterior com as fezes. Sob condições ambientais adequadas, os embriões se desenvolvem em 15 dias e depois evoluem para formas larvais denominadas rabditóides, que podem permanecer dentro dos ovos por vários meses, até que eles sejam ingeridos pelo hospedeiro. Neste momento, atravessam o trato digestivo do hospedeiro e eclodem no intestino delgado. As larvas liberadas atravessam a parede intestinal, entram na circulação linfática e atingem o fígado cerca de um dia após a infestação. Por meio de vasos sangüíneos são levadas para o coração cerca de 3 dias depois. Mais 2 dias e migram para os pulmões, onde rompem os capilares e caem nos alvéolos, subindo pelas vias aéreas e chegando à faringe. Com a tosse podem ser expelidas ou deglutidas, atravessando o estômago sem sofrer danos e fixando-se no intestino delgado. São decorridos cerca de 30 dias da infestação e, durante o trajeto, as larvas rabditóides sofrem várias mudanças e se transformam, aos poucos, em jovens adultos. Em 60 dias alcançam a maturidade sexual e já podem ser encontrados ovos nas fezes do hospedeiro. O verme pode viver no organismo por mais de um ano. A esse deslocamento do verme pelo organismo do hospedeiro dá-se o nome decircuito hepático-cárdio-pulmonar ou ciclo de Looss, em homenagem ao seu descobridor.

Ciclo de Ascaris lumbricoides

2.1.5     SINTOMAS

As larvas podem provocar lesões hepáticas ou pulmonares, com focos hemorrágicos e de necrose. A gravidade da doença depende da quantidade de vermes que estão infestando a pessoa. Nas infestações maciças, que são aquelas com mais de 100 vermes, pode ocorrer enfraquecimento orgânico, pois os vermes consomem muita proteína, carboidrato, lipídio e vitaminas do hospedeiro, além de obstrução intestinal, pois os vermes podem enovelar-se na luz do intestino e no apêndice vermiforme. Intoxicações e reações alérgicas, provocadas pelo sistema imunológico do hospedeiro, podem também ocorrer.

2.1.6     PROFILAXIA

As medidas de controle da doença incluem o tratamento do doente com medicamentos específicos e cuidados especiais na alimentação; saneamento básico, com a construção de sanitários e fossas, extensão e tratamento de esgoto e de água; educação sanitária e informação à população mais carente; higiene pessoal e alimentar, com cuidados especialmente com água e verduras.

2.2     Ancilostomose ou Amarelão

Esta verminose, que também é conhecida comoamarelão ou opilação, tem maior freqüência em regiões quentes e úmidas e, no Brasil, atinge muitas pessoas na zona rural e áreas urbanas de grande concentração populacional, onde as condições de saneamento básico são precárias, como as favelas. Provoca grande enfraquecimento orgânico e é freqüentemente associada, de maneira errônea, à preguiça, por deixar o doente sem disposição para o trabalho. Monteiro Lobato representou tal característica em seu famoso personagem Jeca Tatu, criado como modelo do habitante do interior pobre do país, e explicou: “O Jeca não é assim; ele está assim”.

Jeca Tatu – contaminado pelo verme do amarelão

2.2.1     AGENTE ETIOLÓGICO

Dois vermes nematelmintos são os responsáveis por causar o amarelão: Necator americanus eAncylostoma duodenale, sendo que no Brasil o primeiro é mais freqüente. Ambos são monoxenos e de infestação ativa. Dióicos, macho e fêmea apresentam aspecto cilíndrico, com cerca de 1 cm de comprimento e características que definem um dimorfismo sexual. A distinção entre as duas espécies é feita principalmente pela estrutura bucal, pois existem placas cortantes em Necator e uma série de dentes pontiagudos em Ancylostoma.

Regiões bucais dos vermes: em A, de Ancylostoma duodenale e, em B, de Necator americanus

2.2.2     VETOR

Não há hospedeiro intermediário e a transmissão é feita de uma pessoa para a outra através das fezes humanas contaminadas com as larvas dos vermes depositadas em solo preferencialmente arenoso e úmido. Verifica-se que a transmissão é facilitada quando as condições de saneamento básico da população são precárias: inexistência de sanitários e de sistema de esgoto, com as pessoas defecando no solo.

2.2.3     LOCAL DE AÇÃO

Os vermes adultos são encontrados no intestino delgado firmemente aderidos à mucosa intestinal na qual, através das estruturas cortantes situadas na cavidade bucal, produzem perfurações e sugam o sangue que escorre dos ferimentos. São, portanto, vermes hematófagos[2]. As larvas, durante o seu desenvolvimento no hospedeiro, passam por uma série de órgãos.

2.2.4     CICLO BIOLÓGICO

Os acontecimentos que descreveremos valem para as  duas espécies de vermes causadores do amarelão.

Os adultos se acasalam no intestino do hospedeiro e as fêmeas fazem a postura de grande número de ovos, que atingem o exterior com as fezes. Chegam ao solo em regiões de saneamento básico deficiente e, em seu interior, ocorre o desenvolvimento embrionário. Quando ocorre a eclosão, é liberada uma pequena larva chamada filarióide. Esta movimenta-se no solo úmido à procura de um hospedeiro e, entrando em contato com a pele, geralmente quando a pessoa anda descalça, penetra ativamente em seu corpo com o auxílio de enzimas digestivas. Acredita-se que, sob condições ideais, a larva filarióide possa sobreviver no solo por até dois meses. Após cerca de 20 minutos, as larvas atingem capilares sangüíneos e, levadas pelo sistema circulatório, chegam aos pulmões, onde rompem os alvéolos, sobem pelas vias aéreas e atingem a faringe. Podem ser expelidas em acessos de tosse ou deglutidas. Nesse caso, atingem o duodeno, já na forma adulta, pois, durante o trajeto pelo organismo do hospedeiro, desenvolvem-se, sofrendo várias mudanças. Desde a penetração das larvas até o início de postura pelos vermes adultos, que se estabelecem no intestino, decorrem cerca de dois meses.

Ciclo de vida do Ancylostona duodenale

2.2.5     SINTOMAS

Os principais problemas do hospedeiro serão no intestino. A ação do verme, rompendo a mucosa intestinal, provoca ulcerações acompanhadas de sangramento. Perde-se muito sangue, não apenas dessa maneira, mas pela própria sucção pelo verme, causando perda de hemoglobina e ferro, o que deixa o doenteanêmico e fraco, pois suas células deixarão de receber o oxigênio normalmente. Crianças podem ter problemas de desenvolvimento físico e mental, com diminuição da estatura e da capacidade de aprendizagem. Nesse caso é comum ocorrer a geofagia, ou seja, o doente começa a comer terra, numa atitude impulsiva motivada pela carência de ferro no organismo. A presença das larvas na região pulmonar pode causar hemorragias e facilitar o estabelecimento de pneumonia.

2.2.6     PROFILAXIA

As medidas profiláticas devem incluir:

● o tratamento das pessoas doentes com o uso de medicamentos específicos e uma dieta apropriada que reponha o ferro perdido, impedindo que continuem funcionando como centros de disseminação dos ovos;

● saneamento básico, com extensão da rede de esgoto e construção de sanitários e fossas;

● educação sanitária, informando-se a população, sobretudo as crianças, sobre a necessidade de utilização de sanitários e os problemas da defecação direta no solo;

● higiene pessoal, sobretudo andando calçado em áreas onde as chances de contaminação existam.

2.3     Enterobíase ou Oxiurose

A enterobíase também é conhecida por oxiurose, verminose provocada pelo nematelminto Enterobius vermicularis, conhecido popularmente como oxiúros.

Em relação ao seu ciclo de vida, é um parasita monoxeno e de infestação passiva, sendo transmitido pela ingestão de água e alimentos contaminados com ovos do verme.

Pode ocorrer também a autocontaminação quando o indivíduo, ao coçar o ânus, leva a mão à boca. Essa situação é mais comum em crianças do que em adultos, mas ocorrendo, os ovos são transportados da região anal para a boca e, em seguida para o intestino, no qual eclode uma larva, que torna a doença crônica.

Os vermes adultos vivem no intestino e na região cecal do hospedeiro.

O sintoma típico dessa doença é o prurido (coceira) anal, provocado por uma forte irritação, devido à presença dos ovos do parasita nessa região. Os distúrbios intestinais também ocorrem.

Como medidas de profilaxia, podemos citar o tratamento dos doentes, a higiene pessoal e com os alimentos, medidas de saneamento básico e trocas periódicas das roupas íntimas e de cama.

2.4        Filariose

Conhecida popularmente como elefantíase, é uma verminose originária da África, tendo seu causador vindo para cá com o tráfico de escravos e conseguido se adaptar devido à existência de um bom hospedeiro intermediário e excelentes condições ambientais. O verme causador da elefantíase é Wuchereria bancrofti, dióico, heteroxeno[3] e de infestação ativa. Seu hospedeiro intermediário e também vetor é o mosquito hematófago Culex fatigans. A maior incidência da moléstia no país é encontrada hoje em áreas da região Nordeste e Norte. Os vermes habitam o sistema lin-fático humano, sobretudo nas regiões abdominal e pél-vica, pernas e escroto. A obstrução dos vasos linfáticos pelos vermes adultos provoca problemas na drenagem de linfa nos tecidos adjacentes, criando grandes edemas que, com o passar do tempo, deformam completamente o órgão afetado. Após o acasalamento, as fêmeas liberam ovos dos quais se desenvolvem pequenas larvas, as microfilárias. Essas migram para a circulação sangüínea e podem ser ingeridas por um mosquito que esteja realizando atividade hematófaga. No mosquito, as larvas rompem a parede do estômago e migram para o aparelho bucal. Não chegam a ser inoculadas no homem, mas apenas aproveitam o momento em que o mosquito está sugando o sangue da pessoa, para deixar o aparelho bucal e penetrar pela pele sã ou lesada. Atingem o sistema linfático, no qual evoluem para a forma adulta e, cerca de um ano depois, produzem as primeiras microfilárias.

Inflamações podem ocorrer nos vasos e gânglios linfáticos devido à ação irritativa dos vermes ou de produtos por eles liberados. O tratamento dos doentes é feito com medicamentos que agem mais eficientemente contra as microfilárias do que nos vermes adultos. Os edemas podem ser reduzidos, mas, em alguns casos, a cirurgia plástica é necessária (mamas, escroto). O controle do inseto é difícil e deve incluir a eliminação dos criadouros das larvas (água parada) e uso de inseticidas contra os adultos.

Ciclo de Vida do Wuchereria bancrofti

2.5        Outros Nematelmintos

O grupo dos vermes cilíndricos inclui uma série de outros representantes parasitas. Podem ser desta-cados:

● Ancylostoma braziliensis é parasita intestinal de cães e gatos e, quando eventualmente atinge o homem não completa seu ciclo, realizando migrações cutâneas. Os animais defecam no chão e os ovos eliminados eclodem, liberando larvas que podem penetrar ativamente pela pele humana. Tais larvas são chamadas migrans porque percorrem a hipoderme, formando um rastro sinuoso e causando forte irritação e prurido. Isso é o que o povo habitualmente chama de bicho geográfico. A transmissão é feita usualmente em praias e parques infantis onde exista areia úmida freqüentada por animais.

● Strongyloides stercoralis é parasita intestinal, sendo encontradas no corpo humano apenas as fêmeas, que são partenogenéticas. Os machos são de vida livre. A infestação é ativa, feita através das larvas. Não há hospedeiro intermediário. O ciclo biológico é semelhante ao dos vermes do amarelão, com passagem larval por coração e pulmões antes do estabelecimento final no intestino. A estrongi-loidíase, como é chamada a doença que o verme provoca, produz distúrbios cutâneos, pulmonar e intestinal.

● Trichuris trichiura é o causador da tricocefalíase, moléstia intestinal. Monoxeno, infestação passiva, é transmitido por água e alimentos contaminados por ovos. Causa distúrbios intestinais.

● Trichinella spiralis é um verme pequeno, heteroxeno e de infestação passiva, habitante do intestino delgado humano. As larvas produzidas diretamente pelas fêmeas, após a cópula, perfuram a parede intestinal e, através do sistema circulatório, atingem os músculos, nos quais se encistam. O organismo reage  produzindo  um  fibrosamento  que  envolve  a larva. Após um ano, ela pode ser calcificada. A contaminação é feita pela ingestão de carne de porco malcozida contendo os cistos. Inflamações e fortes dores musculares compõem o quadro sintomatológico.

● Onchocerca volvulus é um verme heteroxeno que vive enovelado em nódulos subcutâneos de localização variável (cabeça, nádegas, tronco). Em cada nódulo há um casal, sendo a fêmea muito longa (40 cm de comprimento) e o macho bem menor (apenas 3 cm). O hospedeiro intermediário é o mosquito do gênero Simulium, o popularborrachudo. A infestação é passiva, sendo o verme, no estágio larval, inoculado na pessoa. Dermatites e lesões oculares são as manifestações mais freqüentes da doença, que é conhecida como oncocercose.

Fonte: Sistema COC de Educação e Comunicação